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25 julho 2020

Tratamento para veias dilatadas: esclerose com espuma ecoguiada

A “esclerose”, também chamada “secagem”, é um método de tratamento que consiste na destruição de pequenas veias superficiais da pele (<2mm de diâmetro), através da injeção direta de um produto líquido.

Estas veias dilatadas existem sobretudo nos membros inferiores e podem ocorrer em diversas idades, mas é mais frequente na idade adulta, podendo agravar-se – em quantidade e dimensões - com a postura de pé continuada, gravidezes, entre outros fatores. De cor azulada ou avermelhada, distinguem-se das veias varicosas por serem de maior diâmetro (>3mm). As veias varicosas podem trazer outras implicações para além das cosméticas.

A esclerose é considerada o tratamento mais eficaz para eliminar as veias de pequeno diâmetro. As veias varicosas, de maior diâmetro, são consideradas, na maioria das vezes, para remoção cirúrgica, mas também podem ser tratadas através de escleroterapia, sendo que, neste caso, a concentração e dose do produto costuma ser maior, para se poder eliminar veias de maior calibre.

O produto que é injetado exerce a sua função a nível local, destruindo a camada interna da veia, migrando depois para a circulação sanguínea, onde, excetuando os raros casos de alergia, é inócuo. Em veias maiores, com maior quantidade de sangue, o líquido injetado fica mais diluído localmente e portanto com menor probabilidade de ter o objetivo pretendido de destruição. Para ultrapassar este inconveniente, foi criada uma formulação do produto misturada com um gás – o mais comum é o próprio ar ambiente –, formando uma “espuma”.

Essa espuma tem a capacidade, ao introduzir-se dentro dos vasos, de “afastar” o sangue durante alguns segundos, em vez de se diluir imediatamente, como no caso da formulação líquida, potenciando o efeito destrutivo local pretendido. Com o auxílio da imagem ecográfica, pode-se dirigir a injeção para veias que não são visíveis à superfície da pele, e assim aumentar a eficácia do tratamento.

Visto desta forma simples, parece um excelente método e quase apetece perguntar por que não se trata todos os casos de varizes com um método tão pouco invasivo, com menores custos potenciais imediatos do que a cirurgia. A resposta não é tão simples; há vantagens e desvantagens, como em quase todos os tratamentos.

As principais vantagens seriam a sua menor invasividade face aos métodos cirúrgicos, sem necessidade de internamento, com deambulação imediata e por conseguinte com menor impacto no quotidiano do doente. As desvantagens resultam sobretudo da eficácia, que é menor comparada com remoção cirúrgica ou ablação térmica (radiofrequência/laser), pois há maior probabilidade de recanalização (“reabertura”) das veias anteriormente tratadas. Por questões relacionadas com a dose do produto, a esclerose de varizes com espuma é normalmente recomendada que se faça num membro de cada vez, ao contrário dos outros métodos, em que é admissível a bilateralidade. A esclerose com espuma pode ser repetida se não for eficaz à primeira; contudo, a maioria das pessoas pretende o maior sucesso possível com o menor número de intervenções.

Assim, o método ideal terá sempre que ser adequado ao contexto e expetativas de cada doente, sendo que se a esclerose com espuma ecoguiada pode ser uma ótima opção para alguns, noutros ter-se-á que considerar outros métodos, igualmente pouco invasivos, mas com eficácia maior. Poderá, também, ser considerada como tratamento “adjuvante” das técnicas mais “agressivas”, de forma a complementar o resultado pretendido de eliminação de veias incompetentes.

Redigido por Dr. José Carlos Vidoedo (OM37608), médico especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular no Trofa Saúde Hospital na Trofa e Maia

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