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13 dezembro 2020

Infiltrações do ombro: mitos e evidência

As doenças osteoarticulares do ombro são frequentes e têm incidência crescente com o avançar da idade, podendo ser causa de dor e incapacidade para o trabalho, atividades domésticas ou de lazer, dificultando movimentos tão simples como levantar o braço ou levar a mão à boca.

As infiltrações do ombro consistem num grupo de tratamentos frequentemente referidos como um só, mas que podem diferir entre si, dependendo da patologia, localização onde é realizada a infiltração (por exemplo, dentro ou fora da articulação) e do conteúdo a injetar (corticoide, fatores de crescimento, plasma rico em plaquetas, etc.).

As doenças degenerativas do ombro podem ser candidatas a alguns tipos de infiltrações e podem dever-se a múltiplas causas: traumatismos repetidos, cargas excessivas, fraturas prévias, fatores genéticos...

As roturas da coifa dos rotadores e a artrose do ombro são os quadros degenerativos mais comuns. Quando a reabilitação inicial não surte efeito, as infiltrações são propostas como um método pouco invasivo, que pode proporcionar alívio da dor e melhoria da mobilidade. A infiltração de corticoesteróides é, por vezes, proposta para tendinopatias e roturas degenerativas da coifa dos rotadores. Esta deve ser feita numa localização extra-articular. Ainda que possa ser eficaz no alívio temporário da dor, um dos efeitos laterais possíveis é o agravamento da degeneração dos tendões já atingidos, podendo comprometer opções de reparação futuras. A sua utilização deve ser cautelosamente avaliada pelo médico e doente, pesando riscos e benefícios, evitando-se também infiltrações repetidas com estes agentes.

Na artrose do ombro, as infiltrações com corticoesteróides são feitas através de uma injeção intra-articular, proporcionando um alívio temporário, apesar de não evitarem o desgaste progressivo da cartilagem. Podem ser utilizadas mesmo em graus mais avançados da doença, com resultados satisfatórios. Os efeitos adversos são raros, sendo o mais preocupante o desenvolvimento de uma infeção.

Por outro lado, existem outros produtos para infiltração que pretendem melhorar a capacidade de autorregeneração do organismo, genericamente designadas por “Terapêuticas Biológicas”. Os Fatores de Crescimento, Plasma Rico em Plaquetas, Colagéneo e as Células Estaminais pertencem a este grupo, mas diferem entre si nos constituintes e resultados obtidos. Apesar de resultados promissores, existe uma grande variabilidade e falta de consenso sobre quais as melhores indicações e em que tipo de doentes e patologias ocorrem de facto a regeneração dos tecidos e a melhoria dos sintomas.

As Tendinites Calcificantes resultam da formação de cristais de cálcio nos tendões da coifa dos rotadores, podendo condicionar dores muito intensas na sua fase de reabsorção e ativação inflamatória. A infiltração com corticoesteróide no espaço extra- articular, junto do tendão afetado durante esta fase mais aguda pode ser uma alternativa para um controlo mais eficaz da dor. A Capsulite Adesiva é caraterizada pela inflamação e retração da cápsula articular, normalmente após trauma, cirurgias ou em doentes diabéticos, causando uma limitação da mobilidade marcada. Nestes casos, a infiltração intra-articular com corticoide pode também contribuir para uma recuperação mais rápida.

Em suma, é fundamental perceber que as infiltrações do ombro podem diferir na localização onde são realizadas dentro do mesmo, assim como no produto utilizado, devendo ser acompanhadas e realizadas por um especialista.

Redigido por Dr. Bernardo Nunes (OM55126), Ortopedista especializado em Ombro no Trofa Saúde Hospital da Trofa

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