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11 novembro 2021

"Dores de Crescimento": mito ou realidade?

O termo “Dores de Crescimento” foi utilizado pela primeira vez em 1823 pelo médico francês Duchamp. Aplica-se habitualmente ao quadro clínico caraterizado por desconforto e dor, mais frequentemente dos membros inferiores, mas também da coluna, em crianças e adolescentes.

Na realidade, o crescimento por si só não provoca dor e várias teorias têm sido postuladas para explicar origem das “Dores de Crescimento”, contudo ainda não foi possível chegar a uma conclusão válida. Os doentes que sofrem de “Dores de Crescimento” têm uma dor que se carateriza pela sua intermitência, que habitualmente surge durante a noite, mais frequentemente na região dos gêmeos, e que alivia facilmente com uma simples massagem local ou a toma de um analgésico ou anti-inflamatório. Muitos doentes experienciam apenas um episódio durante a vida e, ao contrário do que é o senso comum, esta dor não é mais frequente no “pico de crescimento”.

O desafio mais importante para o Ortopedista prende-se com conseguir diferenciar as “Dores de Crescimento”, que têm um curso benigno, de outras condições que possam exigir não só a realização de exames complementares de diagnóstico, mas também tratamento específico e eventualmente, em alguns casos, intervenção cirúrgica.

Aos pais compete conhecer alguns sinais de alarme, tais como claudicação (coxear), sinais inflamatórios, tais como vermelhão, calor ou inchaço, dor recorrente ou que limite as atividades habituais, ou perda de peso involuntária – a presença de qualquer um destes sinais é motivo para recorrer a um especialista.

Dentro das patologias que mais frequentemente simulam “as Dores de Crescimento”, destacam-se algumas osteocondroses, que na sua maioria causam dor a nível do joelho e pé, como a doença de Osgood-Schlatter ou a doença de Sever, ambas benignas e que exigem apenas alongamentos, crioterapia (aplicação de gelo) e a toma de anti-inflamatórios.

Mais raramente surgem na infância e adolescência doenças que podem facilmente ser confundidas com “Dores de Crescimento”, mas com gravidade acrescida. Normalmente, localizam-se na anca, tais como a doença de Legg-Calvé-Perthes, que se carateriza por uma claudicação, muitas vezes indolor, ou com dor apenas ligeira, ou Epifisiólise Proximal do fémur, que se apresenta frequentemente com dor súbita na anca e incapacidade de realizar carga no membro afetado.

Outra fonte de dor ligeira a moderada é o pé plano-valgo (pé raso ou pé chato), que é uma entidade frequente em idade pediátrica e que em determinados casos pode obrigar a tratamento cirúrgico.

Por fim, referir ainda as deformidades angulares dos membros, muito frequentemente o joelho valgo idiopático, “joelhos para dentro”, que pode causar desconforto e dor ligeira dos membros. Estas e outras deformidades angulares ou rotacionais devem ser corrigidas para manter o correto eixo mecânico (eixo de carga).

Dr. João das Dores Carvalho (OM52468), Ortopedista com diferenciação em Anca e Ortopedia Infantil no Trofa Saúde Hospital da Trofa e Braga Centro

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