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23 agosto 2019

Cancro da mama

O cancro da mama é o tumor maligno mais frequente na mulher. Por ano, surgem mais de seis mil novos casos em Portugal e o número de diagnósticos tem aumentado ao longo do tempo. É a principal causa de morte nas mulheres entre os 40 e os 49 anos mas, devido à deteção precoce e aos avanços dos tratamentos disponíveis, a taxa de mortalidade tem diminuído na maioria dos países ocidentais.

O diagnóstico atempado e em estádios iniciais é de extrema importância para o sucesso do tratamento. Para que isso seja possível, muito contribui o Programa Na-cional de Rastreio do Cancro da Mama mas, para além disso, é fundamental que cada pessoa conheça a história natural da doença, os fatores de risco, os sintomas mais frequentes e as armas que existem para um diagnóstico e tratamento precoces.

Não se conhece uma causa propriamente dita para o cancro da mama, no entanto existem alguns fatores de risco que aumentam a probabilidade de vir a desenvolver a doença. Surge habitualmente depois da menopausa, mas pode ocorrer em idades mais jovens, especialmente nos casos em que haja uma predisposição genética ou familiar. Uma idade precoce à data da primeira menstruação, idade tardia da menopausa, primeira gravidez tardia, nunca ter estado grávida, uso de terapêutica de substituição hormonal após a menopausa, excesso de peso e vida sedentária são outros fatores que aumentam o risco.

Em Portugal, o Programa de Rastreio do Cancro da Mama, destina-se a mulheres entre os 50 e os 69 anos de idade e tem como objetivo diagnosticar precocemente casos de cancro da mama que na maioria das vezes ainda não deram sinais ou sintomas. No entanto, cada pessoa deverá estar atenta a determinados sintomas que poderão surgir a qualquer momento, entre dois exames de rotina. O aparecimento de um nódulo pode ser o primeiro sintoma, apesar de, na maioria das vezes, ser benigno. O cancro da mama também poderá manifestar-se por alterações na pele, alterações do mamilo e ainda por secreção/corrimento mamilar.

Em caso de suspeita de cancro da mama, está indicada a realização de mamografia e ecografia mamária devendo sempre fazer-se a sua confirmação por biópsia. Pode também ser necessário realizar exames adicionais como RMN mamária, TAC ou cintigrafia óssea.

O tratamento atualmente tem múltiplas vertentes e cada caso deverá ser discutido numa reunião multidisciplinar, com a presença de médicos de várias especialidades, como Cirurgia, Oncologia Médica, Radioterapia, Imagiologia, entre outros. Aqui planeia-se todo o tratamento.

A cirurgia e a radioterapia são os tratamentos locais de eleição. A quimioterapia, a terapêutica hormonal e a imunoterapia são outras armas terapêuticas, dependendo do tipo de tumor em questão. Estas últimas são administradas pelo sangue e têm como objetivo combater a doença à distância. Relativamente à cirurgia, esta não tem de passar sempre pela retirada de toda a mama – mastectomia. Atualmente, grande parte das doentes pode ser submetida a cirurgia conservadora, ou seja, remove-se o tumor, mas não a totalidade da glândula mamária, existindo técnicas cirúrgicas mais complexas que visam os melhores resultados estéticos.

Se, por um lado, pouco se poderá fazer para impedir o aparecimento do cancro da mama, por outro, está nas nossas mãos um diagnóstico precoce por forma a que sejam obtidas as melhores taxas de sucesso terapêutico.

Redigido por Dr.ª Ana Isabel Ferreira (OM50434), Cirurgiã Geral no Trofa Saúde Hospital na Trofa

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