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21 abril 2019

A estratégia de tratamento da doença venosa deve ser personalizada

A Doença Venosa Crónica (DVC) é muito frequente podendo atingir até 60% da população1. A sua apresentação é bastante heterogénea, com graus de gravidade clínica distintos.

Os sintomas, que passam por sensação de peso nas pernas, dor local, “inchaço”, cãibras, prurido e até claudicação, têm um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes. São agravados pelo calor ou decorrer do dia e aliviados pelo descanso ou elevação dos membros. O espetro de manifestações visíveis da DVC engloba telangiectasias (aranhas vasculares), vénulas, varizes, edema, alterações da pele (hiperpigmentação e espessamento) e úlceras.

A estratégia de tratamento deve ser personalizada e adaptada caso a caso.

Os pilares de tratamento são: medidas de higiene venosa, compressão elástica, fármacos venoativos e os métodos cirúrgicos. Destes destacam-se:
Ablação endovenosa: passagem de uma fibra de LASER ou de radiofrequência com obliteração térmica da veia alvo. É atualmente o método preferencial e mais elegante, uma vez que alia as melhores taxas de sucesso clínico a uma intervenção minimamente invasiva sem cicatrizes, sem dor e com um retorno mais rápido à atividade normal e ao trabalho. É realizada em ambiente de ambulatório, com alta no próprio dia.
Cirurgia convencional: stripping de safenas e exérese de varizes. Para a remoção das safenas é necessária uma pequena incisão (cerca de 2cm) na prega da virilha e outra incisão punctiforme abaixo do joelho. Adicionalmente, são feitas micro-incisões, sem necessidade de sutura, através das quais são extraídas as varizes (flebectomias). Estas são também procedimentos complementares ao tratamento endovenoso.
Esclerose ecoguiada com espuma: através de ecografia, é injetada nas veias uma mistura de ar e líquido esclerosante (“espuma”) permitindo o tratamento de varizes de grande calibre, sem cirurgia e sem repouso. É especialmente benéfica para situações de recorrência ou para doentes com necessidade de tratamento mas com má condição fisiológica.
Microescleroterapia: as vénulas e telangiectasias (vulgarmente chamadas de “derrames”, “raios” ou “aranhas vasculares”) podem ser tratadas posteriormente com injeção local de um líquido que provoca a “secagem” da pequena veia, levando ao seu desaparecimento. São pequenos procedimentos feitos em consultório, cujo número depende da situação clínica.
Stenting venoso para o tratamento da doença obstrutiva ilíaca: é uma intervenção minimamente invasiva, com durabilidade provada e que se está a afirmar como o paradigma atual do tratamento do síndrome pós-trombótico.

É bem conhecido o impacto socioeconómico da DVC nos países ocidentais devido à sua elevada prevalência, aos custos do tratamento e à perda de dias de trabalho. O seu tratamento atempado e adequado é por isso mandatório: melhora a qualidade de vida dos doentes, previne a progressão da doença e evita potenciais complicações.

Fonte:
1) Rabe E. Epidemiology of chronic venous disorders in geographically diverse populations: results from the Vein Consult Program. Int Angiol. 2012;31:105-1 Robertson, L., Evans, C., & Fowkes, F. G. R. (2008). Epidemiology of chronic venous disease. Phlebology, 23(3), 103–111

Redigido por Dr. Paulo Gonçalves Dias (OM42304), Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular no Trofa Saúde Hospital em Braga Centro, Matosinhos, Trofa e Famalicão

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